LÍDER, CHEFE OU GESTOR? O papel do Comandante na Polícia Militar!
O Oficial, nas forças de natureza militar, tem a importante atribuição de administrar tropas, sob o escopo comando, chefia ou direção, com a causa precípua de cumprir a missão finalística de sua Organização. A partir de tal premissa, a hierarquia e a disciplina se fundamentam como amálgamas essenciais e paradigmáticos para a aplicação de recursos materiais e meios humanos disponíveis em tal diapasão.
Considerando tal singular e ímpar responsabilidade, juramentada tanto no ato de ingresso como no término de sua formação em bancos escolares, o Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) deve possuir competência para exercer atribuições que exigem, em seu perfil profissiográfico , diversos elementos de conduta, de comunicação (considerando o domínio de todos os seus elementos) e, sobretudo, de exemplos, para engajar e contagiar seu efetivo no cumprimento dos preceitos emanados pela Constituição Federal.
Como Gestor, todo Oficial é responsável por administrar demandas de natureza institucional , inextricavelmente coligadas nas áreas estratégica, tática e operacional. A complexidade de tal liturgia funcional exige conhecimentos multidisciplinares que suplantam as próprias Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública (CPSOP), exigindo deste profissional ampla visão sistêmica na área jurídica e administrativa, possibilitando o atendimento de interesses de natureza estatal e governamental, materializados pela prestação de contas de seus serviços. Esta faceta impele ao Policial Militar desta carreira uma ininterrupta atualização de normas e diretivas, intra e extra corporis, ancorando o processo decisório na contemporaneidade literal e hermenêutica exigida desse para realizar a gestão de um serviço de interesse público, essencial e indisponível.
Exercendo o papel de Chefe, o Oficial deve se debruçar no cumprimento de metas e de oferta de indicadores compatíveis com seu serviço , seja de natureza operacional ou administrativa, com vistas à contribuição (direta e/ou indireta) de sua respectiva área na já citada missão constitucional. Tal atividade resulta numa implacável carga de pressão, já que a atividade policial-militar, especificamente a preservação da ordem pública em suas 3 facetas (segurança, salubridade e tranquilidade), bem como a disposição de ativos nesse sentido, consome a produção de estratégias que suplantam a própria carteira de serviços prestados, já que as determinantes de criminalidade são multifatoriais.
Além dos papéis de Chefe e Gestor, o Oficial também é impelido ao exercício de suas atribuições funcionais como um Lider, ou seja, superando os paradigmáticos supedâneos da hierarquia e disciplina para contagiar e entusiasmar seus subordinados que, nesse contexto, se transformam em colaboradores e parceiros no enfrentamento das demandas policial-militares.
A literatura acadêmica moderna atribui uma múltipla carteira de conhecimentos, habilidade e atitudes destinadas ao Oficial. Entretanto, desde a criação do embrião de seu Curso de Formação, a Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB) resume, no telhado de seu rancho, aquilo que a Instituição entender materializar funcionalmente a figura desse profissional: Escola de COMANDANTES. Comandar é um ato de coragem e determinação, uma ação imersiva, agregadora de todas as condutas retrocitadas e exigidas àquele que desejarem estar não apenas “na frente”, mas, “à frente” de homens e mulheres imbuídos de um dever, entregando o sacrifício da própria vida nesse sentido. Para dirigir sua fração de efetivo, o Comandante deve utilizar a competência perfeitamente alinhada com sua experiência, respeitando a lei, a doutrina e, sobretudo, os 11 valores que arquiteturam a Deontologia da PMESP. Tal hercúleo labor, entretanto, não pode se desconectar da empatia e alteridade no exercício funcional, agregando aptidões motivacionais e engajando não apenas policial-militares, mas a todos que, direta e/ou indiretamente, se relacionam com aqueles que comandam na PMESP.
Nesse sentido, o Comandante deve introspectar sua posição, sendo consciente e onisciente de que sua imagem e conduta se revestem num verdadeiro Signo, a ser espelhado por aqueles que enxergam não apenas o indivíduo, mais a grandeza representada por seu posto, que deve corroborar perfeitamente com a magnitude exigida para seu exercício funcional. Sintetizando a ilação deste ensaio, é oportuno rememorar importante passagem de Confúcio, que deve permear a racionalidade e, até mesmo, o imaginário do Oficial que, verdadeiramente, tenha o desejo e a intenção de comandar: “As palavras ensinam, mas os exemplos arrastam”.
*AUTORES*:
*Maj PM* Wanderley *TUROLLA* Alves Cardoso
*Maj PM ORIVAL* Santana Júnior
*Maj PM DEMÉTRIUS* Gomes Lopes
*Maj PM* Eduardo *MOSNA XAVIER*